
Pânico 7 | Um legado ou o pior filme da franquia?
Quem imaginaria que um filme de terror dos anos 90, pensado para ser único, se tornaria uma das franquias mais queridas do gênero? Hoje, quase três décadas depois, chegamos ao sétimo capítulo de Pânico e, com ele, o retorno de uma das final girls mais icônicas do cinema: Sidney Prescott, interpretada pela querida Neve Campbell.
Mas aqui surge o grande dilema: Como recriar a fórmula sem soar repetitivo? Como manter a essência, entregar nostalgia, inovar e ainda trazer mistérios que realmente nos prendam? Esse é o desafio que venho contar para vocês se esse filme consegue executar, sem spoilers, claro…
Qual é a trama da vez?
O novo filme acompanha novamente a sobrevivente número um de Woodsboro: Sidney Prescott, agora vivendo uma vida tranquila ao lado da família. Ela trabalha como dona de uma cafeteria, é casada com o delegado local: Mark (Joel McHale, Community) e tem três filhas.
Porém, no longa somos apresentadas apenas à mais velha, Tatum (Isabel May, 1883), de 17 anos, coincidentemente a mesma idade que Sidney tinha quando enfrentou Ghostface pela primeira vez. Tatum insiste em saber mais sobre o passado da mãe, mas Sidney evita o assunto, um gesto que ela acredita ser uma forma de proteger a filha.
O problema é que o passado sempre encontra um jeito de voltar.
Desta vez, não apenas para atormentá-la, mas também para ameaçar sua filha. E assim, mais uma vez, Sidney precisa encarar seus fantasmas para proteger quem ama.
O que esperar?

Depois do sucesso de Pânico 5 e Pânico 6, com Jenna Ortega e Melissa Barrera assumindo o protagonismo, a franquia parecia ter encontrado um novo rumo, bem recebido pelo público e fãs. No entanto, a polêmica envolvendo Melissa, a saída de Jenna e do diretor Christopher Landon bagunçaram os bastidores.
Resultado? Retorno de Neve Campbell como a protagonista do longa, provavelmente agora recebendo o que queria (e merecia).
Embora o retorno de Sidney seja positivo para os fãs, é aqui que a franquia começa os seus tropeços. Enquanto nos filmes anteriores a nostalgia era usada como um toque especial, em Pânico 7 ela se torna praticamente o prato principal. O filme gira tanto em torno dela, que acaba cansando. Parece que tudo depende dela, e isso faz com que qualquer frescor ou novidade perca força.
Outra questão que pesa é a ambientação. A franquia sempre funcionou muito bem quando mudava os cenários: Woodsboro no 1, faculdade no 2, Hollywood no 3 e no 6 fomos para Nova York, uma mudança que deu novo ritmo para a história. Agora, no 7, voltamos novamente para uma cidadezinha pacata. Depois da movimentada Big Apple do filme anterior, o ritmo desacelera e a sensação de “eu já vi isso antes” fica ainda mais evidente.
O que tem de novo, então? Eu respondo para vocês.
A grande novidade do filme é o uso de tecnologia, mais especificamente deepfake misturado com elementos nostálgicos da franquia. Em teoria, a ideia parece boa: unir passado e presente, tradição e inovação. Poderia até reinventar a saga. Mas, na prática, essa mistura não conversa tão bem. Em vez de adicionar tensão ou surpresa, fica apenas forçado.
O que deu errado?

A fórmula criada por Wes Craven, presente desde o primeiro Pânico, sempre foi a espinha dorsal que conquistou milhares de fãs. Nada de sobrenatural, monstros ou demônios, apenas uma pessoa mascarada com uma faca e uma motivação distorcida.
Enfim, era justamente essa simplicidade que gerava tensão: um assassino real perseguindo um grupo diverso de amigos, matando um por um, forçando todos a se unirem para tentar descobrir quem é o Ghostface e sobreviver até o dia seguinte.
A autorreferência, as piadas sobre a própria franquia, as “regras dos filmes de terror” usadas pelos personagens para sobreviver e o famoso “é sempre alguém que você conhece” não foram adicionados aleatoriamente. São mecanismos cinematográficos pensados para criar relação com o público. É a receita de bolo que popularizou os slashers e que aproxima o espectador da trama, fazendo-o torcer pelo seu favorito e desconfiar de todos enquanto tenta resolver o mistério junto com o filme.
Leia também: Wes Craven: A Lenda do Terror Slasher
Quando os diretores Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin assumiram Pânico 5 e Pânico 6, ficou claro que a fórmula continuava funcionando e que também servia para conectar gerações, passando o bastão para novos personagens sem perder a essência original.
Já em Pânico 7, tudo isso parece irrelevante. Até vemos um novo grupo seguindo os estereótipos clássicos: o namorado suspeito, o amigo nerd fã de terror, a patricinha, a amiga fofa e fiel, mas nada funciona. O grupo parece um grande conjunto de figurantes.
Mas o que tem de errado com eles?

O principal problema do novo elenco é a falta de tempo de tela e de uma construção consistente do núcleo adolescente. Nos filmes anteriores, o grupo de sobreviventes, seja o de Sidney e Gale Weathers, seja o de Mindy e Chad (filmes anteriores), sempre foi bem estabelecido, com relações claras e conflitos bem delineados. Já o grupo ligado à filha de Sidney Prescott não recebe o mesmo cuidado.
Os personagens que já conhecemos continuam entregando química, boas atuações, cenas de ação convincentes e diálogos coerentes. O problema não está neles. E sim, nos novatos, que simplesmente não têm espaço suficiente para existir, e, sem construção, não tem como criarmos afeto por eles.
Os diálogos são fracos, as piadas não funcionam, não há entrosamento entre eles e as atuações soam vazias. Nem Mckenna Grace, o nome mais conhecido do grupo, conseguiu fazer milagres.
E falando em milagres, precisamos falar de Tatum, a filha de Sidney

Porque só um milagre (ou o roteiro) explica essa garota não ter morrido no filme. Se a ideia é passar o bastão para ela, a franquia cavou a própria cova. Ela não sustenta um filme como protagonista: carisma de uma porta, zero instinto de sobrevivência, sem iniciativa e sempre esperando receber instruções. Isso já basta para mostrar que ela não tem o mínimo necessário para ser uma final girl.
O próprio filme repete algumas vezes que Sidney superprotege Tatum, sugerindo que por isso ela não sabe se defender. Parece até uma desculpa para justificar a falta de iniciativa da personagem. Talvez parte disso seja culpa do roteiro, que não dá espaço para que o grupo se destaque. A impressão é que todos precisavam ser ingênuos e burros para que o roteiro funcionasse. Bem diferente do que vimos nos outros grupos.
Dos sobreviventes do último grupo, restaram apenas Mindy e Chad, que, para nossa alegria, aparecem neste filme também. Porém, talvez não tanto assim: é decepcionante vê-los cair da importância para a irrelevância, servindo quase só como alívio cômico. Ainda assim, a presença deles com Gale Weathers é um dos poucos pontos altos.
Mas e a Sidney?

Segue lutando pela sua vida mais uma vez.
Mas, como diria minha avó, uma andorinha só não faz verão.
Quanto mais a narrativa avança, mais fica claro o esforço quase desesperado para colocar Sidney como o centro de tudo. Mesmo a relação dela com a filha, que poderia ser explorada ao longo do filme, é desperdiçada. Era a oportunidade perfeita para trabalhar trauma, maternidade e reconexão enquanto ambas se protegem de um assassino? Sim. Mas o filme decide mantê-las separadas o tempo todo.
E tem ainda a questão do deepfake: Sidney investigando se os vídeos são reais ou feitos por IA. O filme se apoia demais em nostalgia e tecnologia como muletas, tentando disfarçar furos de roteiro, ações previsíveis e resoluções apressadas.
Neve Campbell, como sempre, está ótima. Brilha nas cenas de ação, mostra a determinação da nossa scream queen e faz tudo para proteger sua família. Mas estamos presos ao mesmo trauma de novo. Não é possível que em 30 anos essa mulher não tenha feito UMA terapia decente para lidar com isso. Ela já escreveu até livro sobre o assunto, mas parece que nada disso importa, porque voltamos a remexer no mesmo passado novamente.
Nosso Veredito

Apesar de alguns jump scares previsíveis (porém eficientes), mortes criativas que reforçam a brutalidade do Ghostface e momentos de tensão bem construídos, Pânico 7 tropeça feio quando se trata de resgatar a verdadeira essência dos filmes anteriores.
Confesso que minhas expectativas já não estavam altas, mas, mesmo assim, eu não estava preparada para essa decepção. E isso pesa ainda mais quando lembramos que a direção está nas mãos de Kevin Williamson, responsável pelos roteiros de três filmes da franquia ao lado da mente brilhante de Wes Craven. Se existia alguém capaz de realizar um milagre e honrar esse universo sem Craven, era Kevin. E ainda assim… não aconteceu.
O resultado é um capítulo de uma franquia presa à armadilha do “filme pipoca”: apelativo, raso, sem conteúdo e desconectado do que tornava Pânico especial. É triste ver justamente o que Craven evitou durante décadas se tornar o ponto central desse novo filme.
No fim, Pânico 7 definitivamente não honra o legado deixado por Craven. Sei que essa crítica não é o tipo que faz alguém correr para o cinema, mas mexeram com a minha franquia preferida, e eu não consigo fingir que é bom quando, honestamente, é bem ruim. Ainda mais entregando aquela que considero a PIOR revelação do Ghostface da história da franquia.
É doloroso ver um filme com tanto potencial ser desperdiçado assim. Mas e vocês: o que acharam? Quero saber se essa decepção também bateu aí ou se vocês tiveram uma experiência diferente.