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 Crítica | Supergirl acerta na introdução da personagem, mas tropeça no resto
Supergirl. @Warner Bros. Pictures/Divulgação.
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Crítica | Supergirl acerta na introdução da personagem, mas tropeça no resto

24 de junho de 2026 0 Comment

Na sequência de algumas das estreias mais esperadas do ano (Toy Story 5, Dia D…), chega o novo filme da DC: Supergirl. Apesar do longa ter causado burburinho nos fãs, confesso que fiquei um pouco fora disso tudo. Fui assistir Supergirl sem opiniões prévias e julgamentos, pronta para amar ou odiar. E, já adianto, saí da sala de cinema encantada com a personagem de Milly Alcock (House of the Dragon).

Embora muitas coisas tenham me incomodado — o título da matéria não é à toa —, conhecer sua jornada para encontrar seu lugar no mundo compensou muitas das escolhas questionáveis do longa.

Qual é a trama do filme da Supergirl?

Trailer Supergirl. @Warner Bros. Pictures/Divulgação.

Em Supergirl, somos apresentados a Kara Zor-El (Supergirl), uma heroína traumatizada que, como na clássica jornada do herói, não quer aceitar seu chamado à aventura.

Ainda muito abalada pela perda dos pais e seu planeta, Kara está fazendo uma viagem de“comemoração de aniversário”, cheia de bebidas, noitadas e dias que parecem sempre os mesmos. Por mais que ela finja que não sente nada, o filme deixa bem claro que nossa protagonista está fugindo, da dor, da solidão, do sentimento de nunca mais poder voltar pra casa. Sua única companhia nessa viagem é seu cão, Krypto, único ser além dela que sobreviveu à destruição do seu planeta e quem ela tem como família.

Seu plano é simples, farrear bastante, mas essa ideia é interrompida pela entrada de uma menina alienígena na sua vida. Ruthye Marie Knoll (Eve Ridley), de treze anos, busca vingança pela morte da sua família e, por mais que Kara queira fazer tudo menos embarcar numa missão desse tipo, quando o assassino Krem (Matthias Schoenaerts) ameaça seu cachorro, as duas acabam numa caçada cósmica para encontrá-lo.

PS: E quem não entraria, né? Mexeu com nosso pet a gente não se responsabiliza.

Kara foge, mas também busca por um lar

Supergirl. @Warner Bros. Pictures/Divulgação.

Vemos então no filme duas jornadas, a jornada interna da Supergirl, tentando encontrar seu lugar no mundo, e sua jornada externa para salvar seu cachorro e ajudar Ruthye. Quanto à primeira, não tenho muito a criticar, os flashbacks funcionam muito bem para entendermos seus traumas, medos e motivações, fazendo com que a gente saia do cinema bastante envolvido com a personagem.

Mesmo que não tenhamos perdido um planeta, penso que todo mundo consegue se identificar um pouco com essa busca de encontrar seu lugar no mundo, e o filme Supergirl consegue se aproveitar disso muito bem apresentando uma Kara humana, extremamente carismática e com bom coração.

Com diálogos muito bem escritos e um humor que equilibra bem com momentos mais dramáticos, o filme funciona tanto como distração quanto reflexão. O quanto temos nos deixado levar ao invés de tomarmos as decisões difíceis que sabemos que precisamos fazer? Nada bom vem fácil e muito da vida é sobre escolher ser a melhor pessoa que podemos ser com as cartas que recebemos.

Essa é a lição que Kara precisa aprender ao longo do filme. Somos protagonistas das nossas histórias e, por mais que nem sempre pareça, é uma escolha, não algo entregue a nós. Toda essa jornada é muito bem construída no desenvolvimento da Kara e muito bem transmitida por Milly Alcock, que entrega uma performance sensível, descolada e de um carisma que vai agradar muito os fãs com toda certeza.

Depois de dizer tudo isso, tenho certeza de que alguém vai pensar: mas por que esse título então? Calma que te explico.

A jornada externa do filme deixa a desejar

Supergirl. @Warner Bros. Pictures/Divulgação.

O primeiro problema é a previsibilidade. A trama externa é bem simples: encontrar o vilão, derrotá-lo, curar seu cachorro e assim vai. O filme não sai muito da fórmula que já conhecemos de filme de heróis. Temos cenas de ação, humor, momentos dramáticos, nada muito diferente do que já vimos.

Porém, essa não é a maior questão, é possível seguir o padrão de sempre, ter uma história simples, mas entregar um filme redondo e que cumpre o que promete. No entanto, Supergirl peca na construção dessa simplicidade na narrativa. Muitos elementos parecem existir e acontecer apenas porque eram necessários para que o enredo se desenrolasse ao invés de serem realmente construídos.

Isso gera certo desconforto para quem assiste, sejam as cenas em que inimigos demoram a reagir esperando a Supergirl terminar de falar ou o excesso de confiança da personagem diante de pessoas desconhecidas, são escolhas que parecem fora de lugar porque não foram bem contextualizadas no roteiro.

Isso, junto a problemas de ritmo e montagem, tornam esse filme um pouco maçante quando não foca na jornada interna da Supergirl.

Mas tudo nessa parte é ruim?

Supergirl. @Warner Bros. Pictures/Divulgação.

Com certeza não. Embora tenha problemas importantes, esse pedaço também traz acertos.

A interpretação de Eve Ridley, como Ruthye, entrega momentos bastante interessantes. A dualidade e semelhança das duas fazem sentido na trama e criam momentos super engraçados, além de conseguir desenvolver a jornada interna da Kara. É a partir da relação das duas que a inserção dos flashbacks faz sentido, por exemplo, o que suaviza a quebra de ritmo gerada por eles.

Para o enredo geral, vale um elogio à inclusão de uma trama de tráfico sexual humano, que faz sentido tanto para as personagens quanto para a realidade que vivemos. Uma pena que ela seja tão pouco explorada, definitivamente tinha mais potencial.

Outro nome que merece destaque é Jason Momoa que, dentro do que é proposto a ele, consegue entregar um Lobo convincente e bem distante do Aquaman. Porém, sua presença no roteiro acontece de forma solta, sendo outro elemento que poderia ser melhor trabalhado no enredo.

O mesmo vale para o vilão, que traz uma boa interpretação, composição, mas não se destaca. Talvez propositalmente para manter o brilho na Kara, porém para quem prefere vilões, pode ser decepcionante. É um personagem facilmente esquecível no filme.

No geral, vale a pena ver?

Supergirl. @Warner Bros. Pictures/Divulgação.

Na minha visão, sim. Ainda que pudesse ser bem melhor, a apresentação da Supergirl por si só já faz valer a pena a experiência e promete aventuras ainda mais incríveis daqui pra frente. Além disso, para quem gostou de Superman, é uma ótima oportunidade para ver um pouquinho mais do Clark Kent e se sentir nesse mesmo mundo.

Outros elementos também ajudam a deixar a experiência agradável. A trilha sonora, por exemplo, casa muito bem com o filme e funciona como potencializadora das emoções de cada cena. Não é um Guardiões da Galáxia, mas funciona no que se propõe.

De forma resumida, não é um dos melhores filmes de herói que já vi, mas também não é um dos piores. Sua trama principal sofre com problemas de ritmo, previsibilidade e algumas decisões questionáveis de roteiro. Ainda assim, a protagonista é forte o suficiente para me fazer querer ver mais dela no futuro.

É um pouco como assistir ao primeiro Capitão América: talvez não seja o filme mais marcante do universo, mas pode se tornar uma peça importante para o que vem depois.

Supergirl estreia nos cinemas brasileiros no dia 25 de junho.

PS: Preparem-se para se apaixonar pelo Krypto. Ele é a coisa mais fofa de todas!

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      Tags: Craig Gillespie Filmes Filmes de herois Milly Alcock Supergirl
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      Leticia Linhares

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